Eu quero! / Post this

Qual é o assunto? Bem-estar.

Praticante de corrida diária. É, esta sou eu. haha

Pra quem não sabe corro todos os dias, já faz alguns meses. Com a prática diária, meu tênis acabou ficando gasto e detonado, então, esta semana andei olhando alguns modelos para comprar e acabei me deparando com uma novidade no mercado. São os tênis ‘Free Run’ da Nike e os ‘Five Fingers’ da italiana Vibran.

Já tinha visto uma matéria sobre os benefícios de correr descalço e de seus adeptos.

Do ponto de vista evolutivo, o ser humano não é um corredor de longa distância. Como estratégia de fuga e sobrevivência, sua estrutura corporal privilegia mais a capacidade de subir em árvores que propriamente correr, atividade que lhe é particularmente traumática para pés, joelhos e quadril. Nesse aspecto, ao reduzir a resistência do pé ao estresse causado pelo contato com o solo durante a corrida, o uso milenar de calçados pelo homem teria contribuído para agravar mais e mais a situação. Sabedores disso, não seria então a hora de os corredores darem meia-volta? De desamarrarem seus modernos tênis e voltarem a correr descalços ou o mais próximo disso possível? Alguns já começaram esse movimento.

Molas metálicas para maior impulsão, amortecedores de dupla ação e até componentes eletrônicos embutidos no solado. Por mais espetaculares que sejam os desenvolvimentos tecnológicos no setor, pesquisas indicam que os atuais tênis de corrida podem não estar ajudando muito a melhorar o desempenho dos atletas. Nem mesmo a prevenir lesões. Certos corredores chegam a afirmar serem melhores correndo descalços ou então usando tênis de solas tão finas que mais parecem meias. Mas médicos especializados no assunto discordam. Para eles, os conceitos consagrados pela medicina desportiva ao longo dos tempos continuam válidos.

ENFIM, não achei a proposta naaada interessante..

Em defesa de seu mercado, os fabricantes de tênis resolveram se coçar. Com o propósito de combinar os alegados benefícios de correr descalço com alguma camada que protegesse os pés, foram para as bancadas dos laboratórios e desenvolveram modelos com menos material. Foi ai que eu encontrei o Free Run e o Five Fingers, tênis desenvolvidos para uma corrida mais dinâmica e agradável.

Descendente da família FREE, criada em 2004, o FREE RUN eleva ao máximo a inspiração no desenho e movimentos do pé humano, com linhas do cabedal imitando músculos, ligamentos e tendões ao mesmo tempo em que potencializam o suporte oferecido aos pés dos corredores.

Em paralelo, e apesar das multicamadas, o cabedal praticamente não apresenta costuras, o que permite uma amplitude de movimentos poucas vezes vista sem comprometer sua resistência e proteção. A Nike afim de atingir o mercado jovem, também disponibilizou um utilitário em seu site, no qual você personaliza seu tênis antes de efetuar a compra, podendo escolher as cores, os materiais e até mesmo pode colocar seu nome na etiqueta do seu Free Run. Com o slogan ”Free to choose. Your sole. Your color. Your ID.” as vendas prometem para a marca.

Já o Five Fingers da italiana Vibram, conta com várias gerações e modelos para todos os gostos.

O protótipo é simples ao que parece, mas conta com tecnologia de ponta. Deve ser muito estranho correr com um deles, mas os atletas que o utilizam dizem ser confortável como se estivessem descalços mas ao mesmo tempo protegidos da imperfeições do solo.

O mercado brasileiro ainda não absorveu a ideia, não consegui encontrar nenhuma marca nacional que fabrique coisa parecida, mas para aqueles que desejem adquirir o produto, tem que procurar uma revendedora ou ter endereço na Europa, já que o produto só é vendido online para os europeus.

A marca inclusive já tem adeptos no mundo das celebridades, Scarlet J. foi vista com o seu rosinha em uma corrida matinal.

Esse movimento em direção ao mínimo pode vir a ter um impacto significativo não só no segmento dos tênis de corrida, mas no mercado de calçados esportivos como um todo. Entre corredores a torcida fica por conta de que o movimento resulte em tempos mais baixos, em menos e menos graves lesões, e – por que não?- em tênis mais baratos.

VANTAGEM EM CORRER DESCALÇO.

 “Para 95% ou mais da população, correr descalço fatalmente terminará em meu consultório”, afirmou recentemente ao jornal The New York Times o Dr. Lewis Maharam, diretor médico dos Corredores de Rua de Nova York, grupo que organiza a maratona da cidade. Segundo ele, “como indivíduos biomecanicamente perfeitos são raros, a grande maioria das pessoas necessita de algum tipo de calçado, seja ele de suporte ou para correção”.

Ortopedista, traumatologista e triatleta nas horas vagas (já completou dois Ironman, quatro maratonas e várias outras provas de resistência), Clauber Eduardo Tieppo, 44 anos, não concorda com essa tese. Para ele, que se formou em 1988 pela Faculdade de Medicina de Botucatu-Unesp, SP, e tem especialidade em cirurgia de joelho e trauma desportivo, é preciso levar em consideração a capacidade de adaptação que os pés descalços apresentam. Na defesa do seu ponto de vista, cita estudo realizado pelo Laboratório de Biomecânica da Universidade de São Paulo.

Embora preliminar, o estudo em questão – que foi feito em esteira e analisou sete voluntários do sexo masculino, todos habituados a correr calçados e sem histórico de lesão nos seis meses anteriores -, teve como objetivo investigar as diferenças entre a corrida com os pés calçados e descalços. Ao analisar os resultados, os pesquisadores observaram que impulsos de menor magnitude representariam uma quantidade menor de energia propagada de forma passiva para os ossos e articulações, evidenciando assim um melhor gerenciamento de carga na corrida descalça.

Embora na percepção geral dos corredores o uso do tênis possa estar associado fundamentalmente à necessidade de 1º) amortecer impactos e 2º) evitar ferimentos, Clauber lembra que o calçado faz mais. “Ajuda a distribuir a carga nos pés biomecanicamente ineficientes, como acontece nos pés cavos, com grande supinação e também nos pés planos, com pronação excessiva. É minha opinião pessoal, mas acredito que o supinador severo seja o atleta menos propenso a se adaptar à corrida descalço, isso porque precisa mais do amortecimento de impacto que os demais”, diz ele.

Grama, areia, asfalto… Curta, média, longa… Tiro, trote, ritmo… Treinos e corridas há para todo gosto e finalidade. E correr na rua é bem diferente de fazê-lo nos ambientes controlados de laboratórios ou academias. Em meio a tão variado contexto, em quais situações correr descalço pode ser benéfico ao atleta? Clauber responde: “Atletas bem adaptados (condição fundamental) podem correr descalços em grama bem aparada, areia e asfalto em bom estado. No caso inverso, nenhum atleta deveria correr descalço quando a visualização da superfície está prejudicada (como grama alta e locais escuros), pisos em mau estado, com temperaturas baixas ou muito altas. Atletas com sobrepeso, com pés muito rígidos, com supinação excessiva e diabéticos também não devem correr descalços. Também não recomendo correr em concreto nem mesmo para atletas calçados. É muito duro, com força de reação ao impacto de até 6 vezes o peso do corpo.”

FUTURO DUVIDOSO. Um número ainda pequeno, mas crescente, de corredores passou a acreditar na corrida ao natural – se não 100% descalço, quanto mais próximo disso melhor. Além do livro “Nascido para Correr”, de Christopher McDougall, um best-seller recente, alguns métodos de treinamento (Chi Running e Pose) estão pondo lenha na fogueira. Para essa turma, prevalece o conceito de que o pé nu é perfeitamente capaz de correr longas distâncias, e que “enjaulá-lo” nos tênis modernos enfraquece músculos e ligamentos, bloqueando a recepção dos sinais sensoriais enviados pelo contato com o terreno.

O médico Clauber discorda novamente. Segundo ele, “o que enfraquece músculos e ligamentos é o desuso e não o uso do tênis. Obviamente que os estímulos proprioceptivos são maiores ao se correr descalço, mas isto não significa que estejam ausentes quando se usa tênis. A meu ver, a chave da contribuição para melhora das lesões no correr descalço é a correção da passada larga, quando o contato inicial do pé ocorre muito à frente do eixo do corpo, sinal de uma biomecânica pobre de corrida”.

Clínico geral, especialista em acupuntura e medicina chinesa, e autor de livros como “Medicina Complementar – vantagens e questionamentos sobre as terapias não-convencionais”, Alex Botsaris analisa a situação por outro viés. Para ele, “o estímulo gerado pela corrida descalça é excessivo e mais intenso em certas áreas que em outras. Do ponto de vista da reflexologia, não apenas é prejudicial como acaba produzindo mais desequilíbrio. Entretanto, como andar descalço é importante para a fisiologia dos ossos e músculos do pé e ajuda nas trocas de energia do organismo, o bom seria que, como recomenda a medicina chinesa, andássemos descalços uma parte do dia”.

Muitos profissionais concordam que embora correr descalço possa trazer benefícios, aqueles que se sentirem tentados a fazê-lo – ou a experimentar algo próximo disso – precisam começar devagar, exatamente como fazem quando procuram alterar qualquer dos seus outros hábitos de corrida.

Em meio a toda essa controvérsia, correr descalço e caminhar de forma natural passaram a ser objeto de intensas pesquisas por praticamente todos os fabricantes do setor de calçados. As companhias simplesmente não desejam perder o bonde, caso o movimento deixe de ser um modismo passageiro. Direta ou não, uma consequência prática disso já pode ser vista no mercado: na busca pelo mínimo, muitos modelos estão sendo construídos com menos material.

A situação pode ser resumida numa difícil questão: embora ainda incipiente, o movimento dos corredores descalços existe, e os fabricantes de tênis precisam tomar posição. Se afirmarem que o que estão fazendo hoje é o certo, estarão dizendo, em outras palavras, que tudo que foi feito até ontem esteve errado. Embora a grande maioria dos corredores não possa sequer pensar em trotar descalça, muitos outros seguramente estarão prontos para dar meia-volta e conferir se, nos pés, menos pode realmente ser mais.

AS VITRINES PODEM MUDAR DE CARA

Por enquanto os calçados que mais parecem uma meia grossa com um solado de borracha, exatamente para dar a sensação de que a pessoa estava correndo descalça, mas protegida de pequenos problemas no piso, venderam bem no exterior, mas no Brasil o modelo não vingou, talvez por uma questão de estratégia e marketing.

Por tudo isso, acostumados a sempre botar mais alguma coisa no tênis, alguns fabricantes dão como certo ter chegado o momento de pensar em fazer o caminho inverso.

E ai ? Vai entrar para a família dos ”5 dedos” ?

xoxo.

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